Archive for the ‘Contos’ Category

Era Uma Vez…

Setembro 17, 2009

menino lendo jornalEra uma vez… Uma sala de aula repleta de alunos curiosos e cheios de vida. Nesta sala havia uma professora, daquelas que gostava muito de inspirar os alunos de todas as formas possíveis, até mesmo na maneira de se vestir. Esta professora acreditava nas muitas capacidades de seus alunos. Esta professora sabia contar histórias!!

A história, quando contada de maneira envolvente, tem a capacidade de permitir que as crianças desenhem em suas mentes os personagens, as situações e que se identifiquem ou não com estes. Quando estamos contando uma história é muito importante não deixar os detalhes passarem batidos, pois os detalhes dão a essência, e é você quem vai dar um tom à história ou não. É você quem vai imitar o “patinho feio”, inventar um movimento para os sons cantados pela “bela adormecida”, ou simplesmente ler o livro como uma coluna de jornal.

Devemos considerar que no momento da história as crianças precisam estar dispostas de maneira que possam ver e ouvir ao mesmo tempo, por isso usamos a roda. Se você colocar um colchão de ginástica, almofadas ou simplesmente desenhar um circulo no chão, você esta auxiliando o entendimento das crianças de que aquele momento foi separado pra ser dividido naquele espaço específico.

Na hora de escolher a história, seja criativa. Sente-se você diante de vários livros, sozinha, e leia-os com muita atenção, imagine-se contando enquanto os lê, construa suas próprias imagens e procure trazer para a sala de aula algum brinquedo, desenho ou objeto em geral que possa ser relacionado com a história para que as crianças possam experimentar aquele momento junto com você. Não se preocupe tanto assim com a qualidade do livro ou o número de enfeites e “pop-up’s” que este tem, ao invés disto, invista em uma boa história e crie você mesma o seu material.

chapeuzinho vermelhoNa história da “Chapeuzinho Vermelho”, por exemplo, você pode pegar uma caixa simbolizando o lobo (pode fazer o desenho do lobo, ou vestido com roupas de Vovó e etc.) e colocar dentro da caixa as diversas coisas que o Caçador pode ter achado ao abrir a barriga do lobo antes de encontrar a Vovó e a Chapeuzinho, como: um ovo frito, uma espinha de peixe, casca de banana e etc. (use cartolina de diferentes cores para montar estes objetos).

(exemplo retirado de uma programação do Museu Lasar Segall)

É importante também, que depois de contar a história, você permita a construção e confecção de algum material que seja feito pelas crianças. Isso torna aquele momento além de produtivo, muito prazeroso. Ao construir a criança vai recontando em sua mente ou até mesmo em voz alta tudo o que observou, e isto gera um gosto pela leitura, leitura do momento, leitura das palavras que a professora diz. Assim nós estamos estimulando nossos pequenos a ler, e fazerem isto com gosto.

Uma sugestão é visitar o Museu Lasar Segall. Como está descrito no site da Folha Online:

educadora narrando história“No primeiro domingo de cada mês, às 16h, há rodas e cirandas no jardim, nas quais uma contadora narra histórias de autores como Hans Christian Andersen e Câmara Cascudo, além de contos populares. No segundo domingo, às 15h, ocorre o projeto “Oficina de Arte”: no dia 10/8, a proposta é que pais, crianças a partir de cinco anos e adolescentes construam um livro com materiais incomuns. No terceiro domingo de cada mês, às 15h, é a vez do “Arte em Família”, com atividades lúdicas sobre Lasar Segall para crianças acompanhadas de adultos. Inscrições uma hora antes dos eventos.”

http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u429912.shtml

Assita: “Histórias do Dedão do Pé do Fim do Mundo”

http://marciaroth.blogspot.com/2009/02/historias-da-unha-do-dedao-do-pe-do-fim.html

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Desenhos que Falam

Setembro 10, 2009

FlowerEra uma vez um menino. Ele era bastante pequeno e estudava numa grande escola. Mas, quando o menino descobriu que podia ir à escola e, caminhando, passar através da porta ficou feliz. E a escola não parecia mais tão grande quanto antes.
Certa manhã, quando o menininho estava na aula, a professora disse:
– Hoje faremos um desenho.
– Que bom! Pensou o menino. Ele gostava de fazer desenhos. Podia fazê-los de todos os tipos: leões, tigres, galinhas, vacas, barcos e trens. Pegou então sua caixa de lápis e começou a desenhar. Mas a professora disse:
– Esperem. Ainda não é hora de começar. E ele esperou até que todos estivessem prontos.
– Agora, disse a professora, desenharemos flores.
– Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de desenhar flores. E começou a desenhar flores com seus lápis cor-de-rosa, laranja e azul. Mas a professora disse:
– Esperem. Vou mostrar como fazer. E a flor era vermelha com o caule verde.
Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse:
– Hoje faremos alguma coisa com barro.
– Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de barro. Ele podia fazer todos os tipos de coisas com barro: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e a amassar a sua bola de barro. Mas a professora disse:
– Esperem. Não é hora de começar. E ele esperou até que todos estivessem prontos.
– Agora, disse a professora, faremos um prato.
– Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. A professora disse:
– Esperem. Vou mostrar como se faz. E ela mostrou a todos como fazer um prato fundo. Assim, disse a professora, podem começar agora.
O menininho olhou para o prato da professora. Então olhou para seu próprio prato. Ele gostava mais de seu prato do que do da professora. Mas não podia dizer isso. Amassou o seu barro numa grande bola novamente e fez um prato igual ao da professora. Era um prato fundo.
E, muito cedo, o menininho aprendeu a esperar e a olhar, e a fazer as coisas exatamente como a professora fazia. E, muito cedo, ele não fazia mais as coisas por si mesmo.
Então aconteceu que o menino e sua família mudaram-se para outra casa, em outra cidade, e o menininho teve que ir para outra escola.
No primeiro dia, ele estava lá. A professora disse:
– Hoje faremos um desenho.
– Que bom! Pensou o menininho. E ele esperou que a professora dissesse o que fazer. Mas a professora não disse. Ela apenas andava pela sala. Então, veio até ele e falou:
– Você não quer desenhar?
– Sim, disse o menininho. O que é que nós vamos fazer?
– Eu não sei até que você o faça, disse a professora.
– Como eu posso fazer? Perguntou o menininho.
– Da mesma maneira que você gostar. Respondeu a professora.
– De que cor? Perguntou o menininho.
– Se todos fizerem o mesmo desenho e usarem as mesmas cores, como eu posso saber quem fez o quê e qual o desenho de cada um?
– Eu não sei, disse o menininho.
E ele começou a desenhar uma flor vermelha com caule verde.
Conto de Helen Barckley

DrawingOs desenhos falam – desenhar é a primeira forma de escrita da criança, o registro do que está na mente, é uma das formas de linguagem que toda criança deve ter a liberdade de desenvolver. Desenhos falam, diagnosticam e expressam muito sobre a maneira de ver o mundo que uma criança tem. Não devemos nos colocar diante do ensino de forma a reduzí-lo a prática de uma repetição, nem com os desenhos e nem com nada! A sala de aula dever ser um lugar onde a criança sente-se segura de si para expressar-se sem medos e sem restrições.

livro

Para quem quer mais:

O livro “As Cem Linguagens da Criança” é um livro que explica mais sobre um movimento nascido na Itália chamado Régio Emília – Vale a pena correr atrás e conhecer mais!

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=246931&sid=1891958951196579794320074&k5=D725979&uid=